Cristiane Sales da Silva
Eu, Cristiane Sales da Silva, nasci em 06/07/1978 no bairro chamado Saramandaia, em Salvador – Bahia, filha de Jose Joaquim Da Silva e Deolina Santana Sales.
A infância foi muito triste e difícil para mim, perdi minha mãe. Foi triste e muito sofrido para mim, mas superei a tristeza na adolescência. Vivi em lugar chamado Barreiro, no interior da Bahia. Trabalhei na roça com meu pai e meus irmãos. Foi difícil.
Não tive infância, pois comecei a trabalhar muito cedo. Não podia brincar, só fui à escola quando tinha 5 anos, foi pouco tempo e não aprendi nada. Quando tinha 14 anos tive meu primeiro emprego de doméstica. Trabalhava para ajudar meu pai. Quando tinha 17 anos meu pai faleceu, foi difícil para mim perder meu pai naquele momento. Parecia que uma parte de mim tinha morrido, me senti sozinha e sem proteção.
Aos 19 anos fui à escola e fiz primeira e segunda séries em Barra do Pojuca – BAHIA, mas meu nome aprendi a fazer em casa. Eu pegava minha certidão de nascimento e escrevia meu nome várias vezes e assim aprendi fazer meu nome.
No dia 01/03/2003 eu vim para São Paulo com muitos sonhos e projetos, mas não foi fácil eu vir trabalhar de babá. Os meus patrões foram muito bons para mim. A minha patroa D. Fafá e Sr. Peri tinham duas crianças: Clarisse e Francisco, dois lindos adolescentes. Eles me ajudaram, e assim a saudade da minha família ia passando aos poucos. D. Fafá estava grávida de um lindo bebê de nome Rafael. Eu não gostava muito de menino, mas para mim foi um desafio quando ele nasceu. Eu fiquei encantada e consegui vencer o desafio, cuidava dele como se fosse meu filho e foi muito difícil quando deixei de ser babá dele, sofri muito, foram 6 anos e esse foi o meu primeiro trabalho aqui em São Paulo.
Estar aqui em São Paulo é bom, mas estar longe da minha família é difícil. A saudade é grande, mas tenho sonhos e objetivos e vontade de vencer na vida. Às vezes dá vontade de deixar tudo, mas meus sonhos e objetivos falam mais alto. Não posso desistir agora que estou perto dos meus sonhos. As dificuldades são grandes, mas preciso ir atrás. Estar na escola aos 32 anos é um privilégio. Estou adorando aprender a ler e escrever. Esse é um dos meus sonhos. É difícil trabalhar e estudar, mas a vontade de aprender é maior que as dificuldades.
Hoje trabalho como empregada doméstica e faço curso de cabelereira. Moro com uma amiga Carmem e a filhinha dela, Marília, que para mim é como se fosse minha família.
Bom, sou evangélica, não me casei, não tenho filhos, quero agradecer a Deus por tudo que ele tem feito por minha vida. Quero agradecer à minha família por ser a razão do meu viver. Eu amo muito a minha família e ela me ajuda dando força para vencer. Estar longe deles não é fácil, a saudade é grande. Agradeço à Helena Ramos e à família dela, por ter me incentivado a estudar. Agradeço ao Ilha de Vera Cruz por ter professores competentes e maravilhosos.
Obrigada a toda a direção da escola.
Soudade desse tempo Ilha de vera cruz obrigado a todos
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